“Todo mundo tem um dom, um talento. Encontre o seu”. Cresci ouvindo essa frase, que normalmente é dita a crianças quando elas ficam tristes achando que não tem brilho interior ou não são boas no que fazem. Na realidade a palavra talento vem do latim talentum e quer dizer moeda ou algo de valor. Por isso que há a célebre parábola dos talentos no Novo Testamento. Ter e saber usar nosso talentum significa acessar o que há de valor em nós e saber multiplicá-lo. Sempre gostei dessa parábola bíblica em que Jesus conta a história de um senhor que vai viajar e entrega talentos a três “funcionários” e quando volta, cobra de cada um o que foi feito com os talentos deixados. Dois deles duplicaram a quantidade de talentos que receberam e o último, com medo de perder a moeda dada pelo seu senhor, a enterrou e por isso é duramente criticado por sua conduta. Dentre outras reflexões profundas, no final da parábola Jesus ainda diz que a aquele que mais tem, mais ainda será dado e para aquele que pouco possui esse pouco ainda será retirado.
É claro que se não contextualizarmos a fala do Cristo, pode parecer injustiça tirar o que pouco que alguém possui e dar-se mais a quem já tem. Mas Jesus traz aqui uma das maiores leis que regem a vida humana: quanto mais investimos em nossas habilidades, sejam quais forem, cultivando-as com afinco, sem dúvida, mais frutos elas trarão. Mas quem tem medo de viver, de se arriscar nem que seja por bons riscos, acaba estagnado. É preciso que tomemos cuidados, pois quando alimentamos o medo de perder acabamos por enfraquecer nossa vontade de ganhar e a vida simplesmente pára. Sendo assim, quanto mais investimos em nos melhorar continuamente, mais atrairemos de retorno. E quanto mais nos escondemos da vida, mais teremos o que perder. Estas são ponderações alinhadas com os ensinamentos propostos há algumas centenas de anos por Jesus e deveria nos faz refletir.
Semana passada, falamos sobre nossa luz interior e a necessidade de deixá-la brilhar, de estimulá-la. Hoje falamos sobre talentos, nossas preciosidades, por vezes escondidas. Da mesma forma que todos temos uma luz interior profunda, todos temos e devemos identificar nossas aptidões, nem que tenhamos dificuldades em fazê-lo. Aptidões e talentos nem sempre são visíveis e reconhecidos pela sociedade, mas nem por isso deixam de ser muito importantes. Ser uma boa mãe ou pai, por exemplo, é um grande talento. Ser um bom filho, um bom amigo é uma habilidade que não é fácil, tanto que muita gente não consegue ser. Sendo assim, quando desejar conscientiza-se de seus talentos não os procure apenas pelo nível de reconhecimento financeiro ou social que obtenha, mas em papéis essenciais que desempenhamos no cotidiano.
O mais importante é que talentos podem e devem ser aperfeiçoados. Que podemos com boa vontade e atentos para nossa luz interior encontrar muitos talentos e assim como fazem bons investidores, aproveitar esse valores para multiplicá-lo, aplicando-os no dia a dia, sem escondê-los pelo medo que temos das coisas não saírem como queremos. Para alguns parecem dicas de auto-ajuda e no fundo são, pois tudo que beneficia o ser humano pessoal ou profissionalmente é uma forma de auto-ajuda. No entanto, o ponto crucial aqui é ter a sensibilidade, desprovida de crenças limitadoras. Olhar para si e ver o ser humano pleno em potencialidades que teimamos, por vezes, em ignorar que existe.
Espero que identifique e aproveite bem seus talentos, aperfeiçoando-os cada dia mais.
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